Boas-vindas
Caro (a) Colega,
A interação entre o sistema imunitário e o rim constitui hoje uma das áreas mais
dinâmicas da Nefrologia moderna. As evidências acumuladas nas últimas duas décadas
demonstram que os mecanismos imunológicos estão no centro da fisiopatologia de
múltiplas doenças renais, desde as glomerulopatias às nefrites tubulointersticiais,
passando pela doença renal crónica, lesão renal aguda e complicações pós-transplante.
Esta realidade abre novas perspetivas terapêuticas, mas também coloca desafios
diagnósticos e de monitorização.
Atualmente, reconhece-se que tanto a imunidade inata como a adaptativa
desempenham papéis-chave na inflamação, na progressão da fibrose e na disfunção
renal crónica. Do ponto de vista clínico, as descobertas ocorridas neste contexto estão
a traduzir-se no desenvolvimento de terapias imunomoduladoras dirigidas, mais
seletivas e menos imunossupressoras. Do ponto de vista translacional, a investigação
foca-se na identificação de biomarcadores imunes, na modulação de vias de
sinalização específicas e no design de novas estratégias de intervenção imunológica
personalizada.
Estão também a emergir áreas inovadoras como a imunoengenharia, com a aplicação
de tecnologias como CAR-T cells ou nanopartículas em doenças renais autoimunes, e a
imunomodelação personalizada, que visa adaptar a terapêutica ao perfil imune de
cada doente. No campo da transplantação renal, estão em desenvolvimento novos
alvos terapêuticos que procuram reduzir a necessidade de imunossupressão
generalizada e melhorar a tolerância imunológica a longo prazo.
Em patologias como a nefrite lúpica e a vasculite ANCA+, os progressos têm sido
particularmente expressivos, com a introdução de terapias biológicas dirigidas a
células B, fatores de complemento e citocinas inflamatórias. Paralelamente, o uso de
biomarcadores como BAFF, APRIL, IFN-I e anticorpos anti-neutrófilo tem vindo a refinar
a estratificação do risco e o seguimento terapêutico.
Este novo cenário exige uma abordagem multidisciplinar, integrando Nefrologia,
Imunologia, Biologia Molecular e Medicina de Precisão. A aposta na medicina
personalizada, na terapêutica baseada em alvos e na monitorização imuno-funcional
representa não apenas uma oportunidade científica, mas também uma necessidade
clínica urgente.
Ao colocar o sistema imunitário no centro da discussão nefrológica, abre-se caminho
para uma nova era na gestão das doenças renais: mais preventiva, mais específica e,
sobretudo, mais orientada para os mecanismos que realmente sustentam a doença.
Para além do formato clássico de palestras, haverá ainda oportunidade para a
apresentação de casos clínicos ou outros trabalhos científicos, sob a forma de posters,
enquadráveis no tema do Simpósio e selecionados de acordo com o seu interesse
científico. O melhor trabalho submetido será também apresentado em comunicação
oral.
Na expectativa de poder contar com o seu interesse, desejamos-lhe as Boas Vindas ao
XXVI Simpósio Anual de Doenças Renais.
Programa
Resumos
Local
Hotel Evidência Belverde
Av. De Belverde, 70, Charneca, 2845-483 Amora; Portugal
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